Vasos biodegradáveis de bagaço de cana-de-açúcar: alternativa ambientalmente interessante

Marcia Nalesso Costa Jordão MEDINA, Daniela Aparecida de Lima VELANI, Tadeu Alcides MARQUES, Alexandre Witier MAZZONETTO

Resumo


O bagaço é subproduto abundante do setor sucroalcooleiro e frequentemente descartado por comerciantes de caldo de cana. Pensando na aplicação do conceito de economia circular, este trabalho teve como objetivo desenvolver vasos biodegradáveis utilizando o bagaço de cana-de-açúcar como matéria-prima alternativa, visando promover o reaproveitamento e incentivar práticas sustentáveis no contexto da economia circular. Amostras de bagaço de cana, adquiridas de comerciantes de caldo de cana da cidade de Piracicaba/SP, foram submetidas a um pré-tratamento térmico com ácido acético, seguido por secagem, trituração e incorporação de uma solução aglutinante à base de amido de milho. O composto obtido foi moldado em formas plásticas e novamente seco para garantir estabilização da massa. Os protótipos foram submetidos a testes de biodegradação em três tipos distintos de solo: terra vegetal, terra adubada e terra comum, sendo avaliados aos 30 e 60 dias após o enterramento. As análises foram conduzidas de forma visual, considerando alterações estruturais, presença de fungos e variações de coloração como indicadores do processo de decomposição. Os resultados evidenciaram que o tipo de solo influenciou diretamente a taxa de biodegradação. A terra vegetal, rica em matéria orgânica e atividade microbiana, proporcionou maior degradação dos vasos, com presença de fungos, rachaduras nas bordas e desestruturação parcial. Em contrapartida, os vasos inseridos em terra comum e adubada apresentaram menor alteração, mantendo a estrutura física praticamente intacta, com alterações superficiais discretas. Dessa forma, usar o bagaço de cana-de-açúcar na fabricação de vasos ecológicos representa uma estratégia ambientalmente positiva, além de simples e acessível. Para compreender melhor o comportamento do material ao longo do tempo, é essencial que novas pesquisas sejam realizadas, com prazos maiores de acompanhamento. Isso permitirá avaliar com mais precisão o tempo necessário para que os vasos se decomponham por completo.


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